Ozzy Osbourne => O Madman sensato (e hilário)

ozielComo você se sentiria sendo aconselhado por um cidadão que abusou do álcool e das drogas por 40 anos? Provavelmente não o levaria muito a sério, presumo. Mas e se as palavras do citadino fossem estranhamente sensatas e até fizessem sentido? Pois é isso que o leitor de Confie em Mim, eu sou o Dr. Ozzy vai encontrar: uma inesperada e divertida sabedoria calcada na (sobre)vivência.

Quando resolvi folhear este livro, não sabia muito bem o que esperar. Afinal de contas, um cara que arrancou a cabeça de um morcego a dentadas, mijou num monumento histórico (o Álamo, nos EUA), engoliu uma abelha a 110 km/h, ficou em coma depois de se quebrar num quadriciclo (sim, quadriciclo) e passou quase meio século enchendo a caveira e usando praticamente todas as substâncias químicas conhecidas pelo homem moderno… Bom, ele não é lá um modelo a ser seguido.

Mas é aí que está a beleza da coisa. Em maio de 2010, o periódico britânico The Sunday Times viu justamente no passado tóxico do sessentão Ozzy Osbourne uma oportunidade para aproveitá-lo numa coluna de aconselhamentos. Porque né… Conhecimento de causa não faltaria ao Madman na hora de dissecar os problemas alheios.

oziel 2Não é preciso dizer que a coluna virou um sucesso. Sucesso este que fez com que o Príncipe das Trevas juntasse as melhores perguntas dos leitores e as documentasse em Confie em Mim, eu sou o Dr Ozzy. Claro que os anos de insanidade no Black Sabbath e na primeira metade da carreira solo tiveram seu impacto – lembrar de fatos anteriores aos anos 90, por exemplo, só é possível ao menino Oziel graças às anotações de seu auxiliar pessoal e do jornalista Chris Ayres. Mas a hipocondria confessa, aliada às dorgas e a miraculosas recuperações fazem do “maior sobrevivente do rock” (como se autointitula) um verossímil sábio.

A obra é recheada de humor e causos dos “áureos” tempos do vocalista. Destaque para a menção ao mapeamento de seu material genético, feito por cientistas americanos – assim como toda a humanidade, queriam saber como o cantor, carinhosamente chamado de “milagre da medicina”, ainda está vivo.

Além das respostas às perguntas que lhe foram enviadas – cujos assuntos variam desde questões médicas até pedidos de ajuda a pais aflitos –, os 12 capítulos contêm quadros com curiosidades bizarras e até quiz (com somatório de pontos e tudo).

Os mandamentos de Ozzy, como o próprio alerta várias vezes no passar das 264 páginas, não têm a garantia dada por profissionais da saúde, porém são recheados de uma empatia desconhecida pelo público geral. A sobriedade conquistada pelo Príncipe das Trevas ao envelhecer rende ao leitor muitas risadas, e ainda mostra um cara consciente de seus excessos.

Insanamente, o Madman não é tão louco quanto parece. Mas, verdade seja dita: não é nada normal, também.

CONFIE EM MIM, EU SOU O DR. OZZY
Autor: Ozzy Osbourne, com Chris Ayres
Tradução: Rodrigo Leite
Gênero: Não ficção
Número de páginas: 264
Editora: Benvirá
Ano: 2011

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