Contos e afins => Vida Vida Vida

vida vida vida blogAreia e mar são sinônimos de festa, alegria, diversão. Certo? Nem sempre. Este ano, assumiram um caráter macabro pra mim. Num fim de semana praieiro e nada guerreiro, vi-me envolto ao submundo mortífero.

Primeiro, encontrei amigos. Botaram um filme no DVD. Qual? Pânico 2. Beleza. Fui, vi, voltei.

O lar de lá funciona na lógica de José de Alencar. Culto à natureza. Calorão em tempos quentes, geladeiras na friaca. Capcioso. O vizinho curte música pesada. Parou, deu oi, pegou a guitarra e tocou Creeping Death. Coincidência, né? Também achei. Metallica, aliás, é algo que define caráter. Jamais pode ser encarado como negativo.

A mãe do cidadão reclamou do barulho. Discussão. Hora do “falou” e me recolher. Estava claro e o tédio é fator dominante – a genética explica. Fui à janela espiar o movimento na rua. Uma mulher atropelada na esquina. Suspirei tenebrosamente, porém encontrei conforto nas palavras de um diálogo da novela que passava na tevê: “acontece todo dia”. O que não acontece todo dia é a sua avó ser a bendita.

Larguei. Convenci-me de que era a semente de todo mal e fui tomar café. O pai tinha acabado de deixar a velha guerreira no hospital da praia ao lado e aliviou a tensão contando da tia Mirna. Ela foi junto e, cagona que só, falou pra enfermeira que sentiu falta de ar e taquicardia. Preocupou todo mundo, até soltar um elemento gasoso – e parcialmente letal – à atmosfera e provar aos médicos que o problema era, digamos, digestório.

Até o baralho no bar do Durval ganhou contornos cruéis. Desafiei o pau d’água local, batizado carinhosamente na região como “o malaco do rolmops”, venci e fui jurado de morte. O cara até arremessou o marcador de truco na minha direção. Acertou o próprio pé, tudo bem, mesmo assim não foi agradável – ainda mais sob o ponto de vista do dedão esquerdo do bastião, que teve metade da vida útil ceifada pelo golpe.

Tudo acabou no dia seguinte. A gelada Serra de repente emanou um calor que só se sente quando uma saudade boa está pra ser morta. Voltamos à terra querida e natal. A vó ficou boa, a tia incorporou o Activia à dieta e o bebum seguiu forrando a pança com o líquido que animais alados não consomem.

Retornar ao litoral? Sinto muito. Só na próxima encarnação. Minha pedra não é ametista e prefiro não arriscar.

Já dizia um certo poeta contemporâneo: não sou supersticioso. Mas sou um pouco sticioso.

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