Especial Copa do Mundo: O dogma do bobo no futebol

zebra copaNeste fim de semana, muitos almoços em família debaterão o jogo do Brasil contra a Colômbia. E, invariavelmente, aparecerá uma figura emblemática, saboreando o prato principal ao molho de nostalgia. O tiozão. Com décadas e décadas de esporte bretão nos olhos e costas, ele categoricamente entonará um mantra muito conhecido, que só perde pro “brasileiro, com muito orgulho e muito amor” nos quesitos chatice e inverossimilhança: “não existe mais bobo no futebol”.

Todos os favoritos nos confrontos de oitavas de final passaram adiante na Copa. “Ah, mas ninguém jogou tranquilo, foi mais suado do que antes…”. Suado foi mesmo. Agora, o que todo e qualquer deficiente visual anacrônico ignora é que o que mudou drasticamente foi o formato do mundial, não a postura dos competidores em si. Nos anos 1950, 60 e 70, que eles adoram exaltar, eram 16 seleções (exceção ao certame brasileiro). Hoje são 32.

O dobro de jogos. O dobro de chances de ocorrerem as tais zebras.

Sem falar que o animal das duas cores carrega consigo uma conotação um tanto eurocêntrica. Por exemplo: o 0x0 do Brasil com a Escócia, em 1974, espanta menos ao mundo do que o empate sem gols entre Alemanha e Tunísia, quatro primaveras adiante. Tanto escoceses quanto tunisianos jamais chegaram aos playoffs na vida.

Outra coisa: mesmo quando o torneio era menor, as surpresas já aprontavam. Em 1938, Cuba eliminou a Romênia nas oitavas. Em 50, os EUA bateram o English Team por 1×0. Em 58, a Irlanda do Norte empatou com a Alemanha. Em 62, o México (bem menos temível do que na contemporaneidade) ganhou da tradicional Tchecoslováquia por 3×1.

E o que falar da Itália, que em 66 caiu diante da Coreia do Norte e, em 70, ficou no 0x0 com a possante seleção israelense? Até a Holanda dos tempos derradeiros de carrossel sofreu, levando um 3×2 da Escócia em 78.

O mundo globalizado, onde o planeta inteiro vê o que acontece em qualquer partida, multiplica a visão de que hoje em dia os times com menos camisa vendem seus jogos a preços menos palatáveis. Mas a história mostra, pra quem quiser conferir, que eles NUNCA deixaram barato.

Bobo no futebol? Jamais teve, tiozão.

 

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