Contos e afins => La venida

la venidaSentado na Starbucks, de frente pra rua. Frappuccino na metade. Reflexo do Astro Rei nos vidros do MASP, de encontro aos olhos. Pela janela, fita o vaivém da fauna urbana.

Tardezinha. Garota com óculos e topete à lá Roy Orbison tira o iPhone do bolso. Capinha à lá guitarra do Randy Rhoads. Filma o horizonte, como se quisesse capturar um cadinho do azul puro que somente as 15 pras cinco são capazes de tingir num ensolarado céu paulistano. Bonita ela, conjectura.

Abruptamente, para de prestar atenção na transeunte. Creme no canudinho. Entupiu. Hora de fazer força.

Comparado aos terremotos japoneses, provavelmente o barulho soa como o bater de asas de uma borboleta. Cafeteria adentro, todavia, ninguém faz tal comparação. Olhares nada simpáticos. Até a sereia escandinava na embalagem da bebida esboça um riso matreiro.

Único a não julgá-lo é o extintor de incêndio. Embora, escondido no cantinho inferior direito da loja, também estivesse vermelho-vergonha.

Música latina. Cantor emana tanta emoção que mal consegue compreender a dicção do bendito. Praticamente uma mistura insolúvel de Axl Rose com Leonardo, deleita-se internamente.

Retorna a visão às ruas. Sorrisos e pressa. A felicidade das pessoas por sentirem o primeiro ar não-abafado da semana é latente e contagiante. Um cão desvencilha-se da multidão e desabala carreira. Aparentemente, cansado de fazer sala ao whey que o dono carregava à mão esquerda.

“Mais alguma coisa, senhor?”

Atenta-se ao outro lado. Sol já não há no museu. Seis e vinte é tarde demais pras estrelas. Vai embora.

Encontra a menina do celular da maçãzinha, na saída. Queria um mocha, mas como paciência era aplicativo em falta no eletrônico, optou por uma coca ali ao lado. Perdeu-se no tempo e permaneceu por lá, munida de um foninho de ouvido.

Pergunta o que ela ouve, mentalizando Pretty Woman de resposta – dado o visú da moça, sabe. Correto, pero no mucho.

“É a do Van Halen. Muito melhor que a original”.

Sorri como se não houvesse amanhã.

Fita a fila crescente e aborrecida da Starbucks. Frappuccinos longe de serem pedidos. Convida-a a acompanha-lo. Bater papo ao vento, caminhar Paulista afora. Reflexo das primeiras luzes do trânsito nos vidros do MASP, de encontro aos olhos. Mistura-se par à fauna urbana. Flui de retrato a paisagem, até o Paraíso.

 

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