Contos e afins => Verde que te quero verde

arvoreSe você ainda não percebeu, amigo, vou te contar. A vida, ela é uma árvore. Verdade. E com muito mais galhos do que se pode imaginar.

O tronco não é robusto. Está longe de um pau de varal, todavia, pra ser honesto. Seu grande problema é a falta de um sensor verossímil. Quando dispara a produzir folhas, onde ou como vão repercutir por aí é problema terceirizado. Gosta mesmo é de armar confa. Corrompe fácil.

Ramificações não faltam, claro. Cada qual com seu James Brown. Diálogo inexiste, apesar da empatia constante. Sim, há preocupação entre as partes envolvidas. Conversação, contudo, necas. Preferem rezar pra chuva cair e não irritar a central de absorção de água e sais minerais.

Não se engane, bro, a planta é vistosíssima. Fascinante mesmo. Alguns bracinhos, por exemplo, têm destaque inegável. Dança irrefutável, odor inigualável, trabalho incansável (sim, tem quem trabalhe)… Qualidades distintas e impressionantes. Quem pode explicar as leis da atração, não é mesmo? Se nem nós humanos, imagina as plantas?

A semente, devo dizer, já foi bem mais respeitada. Ah… No auge, ninguém podia com ela. Florescia até no deserto, sem H2O nem nada. Qualquer orvalinho inocente caindo no seu tapete seduzia fauna, flora e vã filosofia ao redor.

O que aconteceu? Te digo: o Sol. Subiu à cabeça da bendita. A atrevida pensou que rolava ganhar terreno fora do subsolo, acredita? Abusou do UV, querendo pegar uma corzinha sem filtro. Queimou legal, e hoje está aí, marginalizada. Pobrecita. Todo mundo fala mal. Tanto que voltou à terra e não arreda pé de lá de jeito nenhum.

Nem preciso dizer que, pra se dar bem, estar no centro da planta é mais do que essencial. É lá que a seiva circula.

A verdinha não é pra todo mundo. A galera da ponta, vixe… Reclama, reclama, reclama. Você pensa que são atendidos? Que nada. Quando a primavera chega, tipo um dia antes, a bruta até vira elaborada nas bandas periféricas. Nos outros 364, porém, nutriente bom mesmo para na meiúca. Lá, ninguém se compromete e segue o bonde.

A vida, meu querido, é uma baita duma árvore. Cheia de erva daninha nos flancos. O cara que rega, por enquanto, a mantém na ativa. Mas não sei não… Do jeito que a coisa vai, um dia aparece uma madeireira, corta e vende. Porque né, a roda tem que girar.

Anúncios

Uma resposta em “Contos e afins => Verde que te quero verde

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s