São Marcos I, o elegante primeiro goleiro da Seleção Brasileira

marcos carneiro de mendonçaO primeiro ídolo do futebol nacional não foi Friedenreich. Sequer tinha função ofensiva, aliás. Sofria com problemas nos pulmões e arritmia cardíaca na juventude. Só jogaria bola se encontrasse um posto no qual não precisasse correr. Pois assim fez o arqueiro inaugural da história da Seleção Brasileira.

Marcos Carneiro de Mendonça (25/12/1894 – 19/10/1988) gostava muito do esporte bretão, em franca expansão no Rio de Janeiro dos anos 1900/1910. Tinha como hábito acompanhar o irmão Luis atuando pelo Haddock Lobo, e numa destas vezes pôde também mostrar serviço.

O clube estava a poucos minutos de encarar o Fluminense, e nada do goleiro titular, Ayres Barroso, aparecer. Sobrou pra ele, no alto dos 15 anos, a tarefa de completar a formação. Debaixo das traves, não mais saiu.

Trocou o Haddock Lobo pelo América-RJ e logo adquiriu notoriedade. Atuando pela Seleção Carioca em duelo contra a Argentina, em setembro de 1912, chamou a atenção da crônica esportiva com “defesas exercitadas ainda nos momentos mais críticos sob imutável calma”. O resultado (vitória hermana por 4×0) pouco importou.

Ganhou o estadual de 1913 pelo Mequinha e se transferiu ao Flu no ano seguinte.

brasil exeter cityQuando o Brasil armou o primeiro time a representá-lo, escolheu Marcos pra salvaguardar a meta. O rapaz, então com 19 anos, já era unanimidade com seu estilo peculiar de agarrar a pelota – pegando-a com a mão direita e a encaixando no braço esquerdo. Raramente atirava-se ao chão. 1,87m de pura elegância e frieza.

Em 21 de julho de 1914, a Seleça debutou oficialmente vencendo o Exeter City, da Inglaterra, num amistoso que mais lembrou uma batalha campal. Friedenreich, também presente naquele 2×0, perdeu dois dentes tentando escapar da violência europeia no Estádio das Laranjeiras.

No mesmo ano, Marcos ajudou o Brasil a triunfar na Copa Roca, saindo de campo carregado após o 1×0 que garantiu o título, diante da Argentina.

Fortaleceu o físico na sequência da carreira. Chegou a levar duas medalhas de ouro em competição de atletismo organizada pelo São Cristóvão: uma no lançamento de peso, e outra no salto com vara.

O público feminino o adorava. A futura mulher, Ana Amélia, encantou-se tanto ao vê-lo em ação (ainda nos tempos de América) que escreveu um soneto, O salto, em homenagem aos dotes “gregos” do cidadão. Quem pode, pode, né não?

fla flu 1919Viveu a melhor fase no Fluminense, onde conquistou um tricampeonato estadual – 1917/18/19.

Neste último, inclusive, fez milagre. Na primeira final, um Fla-Flu assistido in loco pelo presidente da República, Epitácio Pessoa, Marcos parou um penal. E foi além: defendeu os três rebotes originados pela intervenção.

Tão lendária quanto ele ficou a indumentária usada pra jogar – camisa, bermuda (adornada por uma fita roxa na cintura) e meias brancas.

Com a Seleção, ganhou ainda os Sulamericanos de 1919 e 1922.

Mais tarde, trilhou carreira como dirigente – no Tricolor, claro. Presidiu a equipe nos anos 1940, vendo-a bicampeã carioca (1940/41) em sua gestão.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s