Contos e afins => Curtura

curturaTerminada a votação, o site da Gazeta Popular estampou, em primeira mão: “Estanislau Alonso fora da Presidência da República”. Menos de dez meses após a posse, lá se foi o chefe de Estado largar o poder pela porta dos fundos. Um inegável contraponto à euforia do pontapé inicial.

Ganhara o pleito na banguela. Primeiro turno, votação recorde. Quarenta e poucas primaveras, herdeiro do maior império industrial da nação e adorado pelo eleitorado, Alonsinho representava o arquétipo do mandatário ideal.

Porém, logo que sentou na cadeira suprema, riscou a caderneta do know-how. Contrariando o papai mecenas, se recusou a investir na construção de um museu de história da arte na Zona Leste. No lugar, ergueu uma casa de shows.

Os ônibus, que até então tocavam sinfonias de Beethoven na hora do rush, passaram a executar canções escolhidas previamente pelos passageiros, via enquete online.

Foi um Deus nos acuda. A bancada governista se voltou contra Estanislau, e a iniciativa privada cortou a verba de seus projetos. Quadros de Picasso, prontinhos pra serem despachados à capital federal, ficaram presos na Zona Franca. Mucho loco.

Escolas começaram a estimular a criatividade de seus alunos, incentivando os bacuris a criarem as próprias formas de expressão. A apreciação pragmática ao romance indianista foi abandonada, causando tensão junto aos formadores de opinião. “Privar as crianças de ler Iracema é uma afronta à moral e os bons costumes, um retrocesso à barbárie”, comentou o Ministro da Cultura.

Mas a gota d’água, de verdade, aconteceu em entrevista à rede de TV Alencares. Após verem o presida utilizar a expressão “arte popular” e defender o pop, membros da oposição entraram em contato com dissidentes da base aliada e iniciaram a tramitação do inevitável processo de impeachment. Intelectuais e opinião pública apoiaram o movimento.

Taxado de “Jânio Quadros do século XXI” por um opositor que preferiu se manter anônimo, Estanislau deve deixar o país amanhã cedinho. Segundo reportagem do Diário de Notícias, o ex-comandante passará as próximas semanas no Uruguai. A missão é traçar uma estratégia de defesa, junto aos advogados, contra a acusação de insanidade mental movida pelo pai.

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