Contos e afins => Impressões subjetivas na terra dos parnasianos

vasogregoNa terra dos parnasianos, a fadiga é tão grande que ninguém para. Todo mundo fica morto, contudo segue chegando. Exausto só de pensar fico.

Na terra dos parnasianos, tudo é colocado em vasos. Gregos, chineses, nunca vi tanta gente chegada num recipiente assim.

O Sol é Astro-Rei.

A Lua é Satélite Natural.

Pólis vale mais do que cidade.

Senado romano é que é senado bom de verdade.

Na terra dos parnasianos, quem não acha rima pra otorrinolaringologista com o mesmo número de sílabas morre. De ansiedade e sem piedade.

Por lá, durei nem um mês.

Na terra dos parnasianos, não importa diversidade de som. O elitismo exige rima bem-sucedida e latifundiária. Rica.

Na terra dos parnasianos, quem respira é Zé Mané. Bom mesmo é objeto inanimado, daqueles que se pode inventar qualquer coisa e ninguém pode se atrever a dizer se está errado.

Não há discussão.

Porque ninguém se entende.

Cada um fala de um jeito.

Tão pomposo, virtuoso, que nem as mães (vergonhosas de admitir) compreendem.

Na terra dos parnasianos, é quatro quatro, três três, e ai daqueles que inventem.

De lá, só se sai em roleta russa de soneto. Uma única vez.

Quem fica na terra dos parnasianos, ganha (a)preço pelo lugar. Tudo é raro, bem bonito, singular. Quando se vê de novo, o novo já se instalou.

Quem fica na terra dos parnasianos, fica menos humano. Para de pensar e de sentir. Só olha e vê. Azul, ciano, índigo, celeste, muda o termo, e só. Cor é cor. Nada mais.

Palavra rara.

No papel.

Simplicidade.

No padrão.

De vida.

E na ação.

Enquanto isso, versículos.

Intrincados, se vão pela pena (caneta é coisa de modernistinha pau-brasil) à mão.

Quem fica na terra dos parnasianos, metrifica até o pão.

Por isso, não dei conta.

No meio de tanto de tanto foie gras, sou muito arroz com feijão. E me sinto bem a cada refeição, no conforto do lar.

Nada melhor do que tacar uma bola de tênis num belo vaso de vidro, né não?

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