Joseph Blatter e João Havelange: propinas e bonificações no mundo da Fifa

sepp jow 2As investigações do FBI sobre irregularidades no futebol, que custaram a Joseph Blatter a renúncia à cadeira suprema na Fifa, chamam a atenção no noticiário atual. Há muito tempo, aliás, nosso querido esporte se vê mergulhado num mar de corrupção.

Pensando nisso, me lembrei de um episódio interessante, narrado pelo jornalista Andrew Jennings no livro Jogo Sujo (FOUL! The Secret World of FIFA: Bribes, Vote-Rigging and Ticket Scandals – 2006). Personagens centrais: Sepp João Havelange.

Em 1998, um comprovante de pagamento emitido pelo Union Bank da Suíça é entregue a Blatter, então secretário-geral da bola mundial. O documento aponta a transferência de 1 milhão de francos suíços, feita pela empresa ISL, a um importantíssimo dirigente da entidade. Jennings não revela, mas trata-se do presidente Havelange.

O dinheiro faz parte de uma política de “agradecimentos” da companhia de marketing esportivo, endividada porém feliz pela conquista (nada legal) dos direitos das Copas do Mundo de 2002 e 2006. Um “muito obrigado” dado a um grupo de cartolas, enviado por engano à conta da Fifa.

sepp jow 3Ao receber o documento das mãos do diretor de finanças Erwin Schmid, Sepp demonstra apreensão, e trata logo de resolver a treta. A propina, então, é devidamente transferida à conta do presida. E todos fingem que nada aconteceu.

Como grana nunca é demais, Havelange recebe ainda uma pensão de valor desconhecido. Estima-se que o ganho fique na casa dos 125 mil dólares anuais, desde 1994. Fora o baile.

Blatter também garante fatias interessantes do bolo boleiro. Antes de largar o osso ruído desde 1974, Havelange escreveu um memorando, instruindo que um bônus de lealdade – de seis dígitos – fosse pago ao sucessor a cada 1º de julho. Detalhe: o acordo é retroativo e vale desde 1997, um ano antes do suíço ser eleito figura mór na Fifa. Seu salário? Desconhecido até hoje.

PS: Conforme evidências exibidas no programa Panorama da BBC, a política de “agrados” custou à ISL 100 milhões de dólares, entre 1989 e 1999. A falência da empresa, em 2001, não chega a surpreender.

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