Gol no começo, bolas na trave e virada nos acréscimos: a melhor final de Champions League de todos os tempos

champions 1999Com um leve sorriso, Lothar Matthäus tenta conter a euforia. Os joelhos esfolados após 80 minutos de intensa movimentação pouco importam. Substituído por Thorsten Fink, o veterano do Bayern de Munique conta os segundos pra conquistar o troféu que lhe escapara das mãos 12 anos antes.

Estamos além do tempo regulamentar, e os bávaros vencem o Manchester United pelo placar mínimo. A torcida inglesa domina o Camp Nou, mas é a minoria germânica quem festeja a proximidade do título da UEFA Champions League de 1999.

Não é pra menos. Logo aos 6 de jogo, Mario Basler cobrou falta no canto esquerdo baixo de Peter Schmeichel e abriu a contagem. Sem outra escolha, os Diabos Vermelhos foram pra cima. Dominaram a posse de bola, porém pecaram na hora de vazar a sólida defesa adversária. O tempo passou e o placar se manteve até a chegada daqueles acréscimos.

champions 1999 2Enquanto o árbitro auxiliar ilumina o número 3 na placa de período extra, o United arranja um escanteio. No desespero, até Schmeichel se dirige à grande área. David Beckham cobra e a pelota passa acima da cabeça do goleiro dinamarquês. No perde e ganha, a bendita para na meia-lua e Ryan Giggs experimenta, de prima. O chute sai estranho e encontra Teddy Sheringham, que gira de costas, bate e acerta o cantinho direito de Oliver Kahn. O cronômetro marca 45:36.

Matthäus parece não acreditar. O olhar do banco de reservas está perdido e a boca já não sorri. Catatonia perplexa.

O Bayern sai jogando atordoado, tentando assimilar a morte súbita batendo à porta. Aproveitando o momento, o Manchester rouba a gorducha rapidamente e ganha outro escanteio.

champions 1999 3Beckham manda no primeiro pau, Sheringham escora e Ole Gunnar Solskjaer estufa as redes, virando o placar aos 47:17. Red Devils em êxtase cercam o herói improvável, que pisara no gramado de Barcelona já na reta final do cotejo.

A defesa alemã está em choque. Sincronizadamente, Kahn e outros dois companheiros abaixam a cabeça e repousam os braços sobre os joelhos. O zagueiro Samuel Kuffour soca o chão, grita e chora copiosamente, como se as três bolas na trave que seu time dera no segundo tempo lhe viessem à mente.

Aos 38 anos, Matthäus relembra com tristeza a decisão europeia de 1987. As mãos que agora sustentam o queixo também sentem o peso de quando o time o qual capitaneava saiu na frente do Porto aos 25 minutos, tomando a virada no último quarto da partida.

Em 1min41s, o título da Champions mudou drasticamente de rumo, provando o quanto o futebol pode ser mágico. Graças ao “Milagre do Camp Nou”, o United garantiu a tríplice coroa na temporada 98-99, e aquele 26 de maio jamais sairá da memória dos habitantes de Old Trafford.

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