Brasil x Argentina: a rivalidade que pegou fogo no futebol graças à Segunda Guerra

brasitinaQuando tinha 13 anos, ouvi minha professora de história culpar Galvão Bueno pelo acirramento da rixa entre Brasil e Argentina no futebol.

Havia certa razão no discurso da psora. Mas verdade seja dita: a labareda inicial queimou mui antes de escutarmos o narrador mais controverso do planeta bradar que ganhar dos hermanos era “muito melhor”.

A gênese do clássico

Segunda Guerra Mundial cancelou as Copas do Mundo de 1942 e 1946, aumentando a importância de competições regionais na América do Sul. Pensando nisso, brasileiros e argentinos interromperam hiato de 16 anos e reativaram a Copa Roca em 1939.

Eufórica pelo 3º lugar no mundial da França (1938), nossa seleça jogou fora as sandálias da humildade e subestimou a albiceleste. Tamanha soberba foi punida com um massacrante 5×1 na 1ª partida, calando 50 mil vozes em São Januário.

Também no Rio, o 2º encontro reservou um momento curioso. O placar estava empatado em 2×2  até o finzinho, quando o árbitro (brazuca) assinalou pênalti inexistente em favor do Brasil. Os portenhos partiram pra porrada, revoltadíssimos, e abandonaram o campo. Convertemos a cobrança sem goleiro e vencemos por 3×2.

A tensão entre os países fez a 3ª partida vir à vida somente um ano depois, em 1940. Mesmo assim, rolou pênalti duvidoso pra gente e mais reclamação hermana. Ao final, 2×2, no Parque Antárctica.

Igualdade era resolvida com cotejo extra àquela época. Aí deu Argentina: 3×0, novamente em São Paulo.

1946: o legado da treta

brasitina 2Depois de 39, o Brasitina nunca mais seria uma partidinha comum. Na decisão do Campeonato Sul-Americano de 1946, veio a prova definitiva.

O zagueiro Battagliero (que fraturou a perna numa disputa com Ademir de Menezes) percorreu o gramado amparado por alguns companheiros, incitando 80 mil torcedores em Buenos Aires a clamar por vingança.

O clima hostil surtiu efeito e os anfitriões triunfaram por 2×0. Não sem antes trocarem agressões com os visitantes, após Jair Rosa Pinto quebrar o zagueiro Salomón. Ah, o Brasil quis largar mão do confronto no intervalo, porém foi “aconselhado” pela polícia local a terminar o que começou.

Passada a batalha, demoraríamos 10 anos até atuar contra nossos vizinhos outra vez.

 

 

 

 

 

 

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