Financiado pelo tráfico, futebol colombiano viveu tempos de tretas e glória nas décadas de 1980 e 90

futebol colombianoJusto no período mais negro de sua história, a Colômbia se transformou num celeiro de craques.

De meados dos anos 1980 ao início dos 90, aproveitando a grana lavada pelo narcotráfico, América de Cali Atlético Nacional montaram esquadrões lendários, finalistas da Taça Libertadores da América.

Esse sucesso, porém, não foi conquistado puramente pelos jogadores. Fora das quatro linhas, cartéis aliciaram árbitros na cara dura, comprando resultados a torto e direito.

futebol colombiano 2O primeiro cafetero a se destacar foi o América. Turbinados pelos traficantes de Cali, os Diablos Rojos foram pentacampeões colombianos entre 1982 e 1986 e bateram três vezes na trave na Liberta.

Em 85, o vice continental foi pro Argentinos Juniors, nos pênaltis. Já em 86 e 87, os algozes sudacas foram River Plate e Peñarol, respectivamente.

Enquanto isso, nos arrabaldes de Medellín, a galera andava impaciente. Pablo Escobar injetava verba no Nacional (e no Independiente), mas os resultados não apareciam. Até que a geração comandada pelo treinador Francisco Maturana, reunindo gente do quilate de Higuita e Andrés Escobar, deu aos Verdolagas o título da Libertadores de 1989, conquistado em cima do Olimpia.

futebol colombiano 3Título polêmico, principalmente pela vitória por 6×0 sobre o Danúbio, nas semifinais.

Segundo o auxiliar Juan Carlos Bava, a facção de Pablo Escobar sequestrou os juízes antes da partida, os ameaçou de morte e ofereceu propina pra que ajudassem o Verde Paisa. Entrevistado, Bava até brincou que ele próprio faria um gol pro Atlético, caso o duelo estivesse empatado até os minutos finais.

Na Libertadores de 1990, outra treta. O árbitro Daniel Cardellino contou à Conmebol ter recebido uma oferta de US$ 20 mil pra garantir que a equipe batesse o Vasco, nas quartas de final. O confronto original, realizado na Colômbia e vencido pelos anfitriões por 2×0, acabou anulado.

Marcou-se um rematch em campo neutro e El Verde de la Montaña ganhou por 1×0, avançando às semifinais – onde pararia (veja só) no Olimpia.

1989: o certame emblemático

futebol colombiano 4Nada ilustra melhor a perigosa relação tráfico-futebol do que o Campeonato Colombiano de 1989.

Independiente e América, controlados por cartéis rivais, disputavam um playoff valendo vaga no quadrangular derradeiro.

Na ida, em Cali, os visitantes tiveram tento impugnado pelo árbitro Álvaro Ortega e perderam por 2×1. Pablo Escobar ficou puto.

Ortega também trabalhou na volta, em Medellín, que terminou 0x0. Horas após o jogo, a mando do Patrón, acabou assassinado a tiros quando se dirigia a um restaurante.

Em virtude do crime, a Federação Colombiana suspendeu o campeonato, que não teve campeão.

 

 

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