Contos e afins => Sessão de terapia do cidadão-modelo

sessao-de-terapia-do-cidadao-modelo_contoNão acredito na fé, muito menos no que vejo. Não creio em destino e sou basicamente um parasita. É vero.

Dou bola nenhuma pro que acontece. Pra ser bem sincero, não confio no que os outros chamam de “bom gosto”. Não penso em ir pro céu quando morrer e adoro a desgraça alheia.

Perigoso.

Mau.

Malagradecido.

Nada crente.

Nem um pouco bonitinho.

Já fui descrito de muitos modos. O que mais me admirou até hoje foi: “paraquedas que emperra na queda”. Adotei pra vida.

Não vejo graça nenhuma no amor e nunca desejo boa viagem a ninguém. Procuro olhar em linha reta, pois não vejo nada além. Talvez a melhor analogia, se você for daqueles que gosta de rotular, seja “caixa de correio trancada”.

Raça humana? Grandes coisa. Guerras? Invenção da mídia. “Vá em frente. Acredite em você”? Náá, nem perca tempo com isso. Quero, quero muito. Mas só pra mim.

E sempre mais.

Quando a noite virar dia, e as folhas começarem a cair das árvores outonais, e o ar-em-movimento te derrubar, não tenha dúvida: tô por aí. Fui eu memo.

Quando o dinheiro acabar, e você se vir em momento de prestar votos ou algo similar, e sentir que o tempo parou, simplesmente aceite: comigo você não pode.

Nana.

Nina.

Não.

Agora dá uma licencinha, viu?

Tô atrasado pro bingo beneficente.

 

*”Sessão de terapia do cidadão-modelo” é o texto que batiza meu livro de contos, lançado ano passado no formato digital. Pra encontrar o bichão completo, clique aqui.

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