Os 10 melhores discos lançados pelos Beatles em carreira solo

beatlesFazia tempo que não rolava post sobre os Beatles, então lá vamos nós.

Hoje o assunto são os álbuns lançados pelos guris fora do grupo. Dentre estes, escolhi minha dezena preferida – a maioria da década de 1970, quando os lads de Liverpool fervilhavam de energia criativa querendo ser liberada.

Espia só:

10) Imagine (1971) – John Lennon

Depois de iniciar o período pós-Beatles libertando seus demônios de forma visceral, John Lennon voltou ao pop mais polido. Em Imagine, o consorte de Yoko Ono ampliou a banda de apoio e brindou o planeta com clássicos da magnitude de ImagineJealous GuyGimme Some Truth.

Mas a raiva do passado não morreu de todo. Na ácida How Do You Sleep?, o ex-parceiro de composição Paul McCartney é atacado em versos como “The only thing you done was yesterday“. George Harrison participa de metade das gravações do LP, incluindo How Do You Sleep?.

9) Wild Life (1971) – Wings

Debute da segunda grande banda de Paul McCartney. Na época, Macca buscava um som ao vivo, cru, pouco ensaiado. Razão pela qual várias canções primam pela experimentação, soando como jams, o que não agradou público nem crítica.

Reação negativa à parte, a estreia do Wings é recheada de momentos marcantes – principalmente a faixa título.

8) Cloud Nine (1987) – George Harrison

Retorno triunfal de George Harrison após cinco anos de férias na carreira solo. Cheio de feats. pesados (Eric Clapton, Elton John e Ringo Starr, pra citar alguns), a bolacha mostra o rapaz afiado no pop – e na escolha do repertório.

Largamente conhecido pelo single Got My Mind Set on You, de Rudy Clark, Cloud Nine tem ainda uma bela homenagem aos Beatles: When We Was Fab.

7) George Harrison (1979) – George Harrison

A tempestade de George cessou. A treta envolvendo a ex Pattie Boyd e o amigo Eric Clapton, os problemas vocais, a dissolução legal dos Beatles, a acusação de plágio em My Sweet Lord… Tudo deu lugar à bonança.

Ele reduziu a marcha, casou de novo, teve filho, re-ouviu sucessos antigos e terminou de escrever o álbum homônimo no Hawaii. Vibe positiva que originou um de seus melhores trabalhos, reforçado por Here Comes the Moon (sequencia de Here Comes the Sun) e Not Guilty, outtake repaginado do White Album.

6) Ram (1971) – Paul and Linda McCartney

Pérola de Paul, que compartilha créditos de autoria e produção junto à amada Linda. A atmosfera entre o outrora Fab Four andava carregada na época, sobretudo porque McCartney tentava dissolver a parceria na justiça.

Dito isso, Ram segue a linha simplista adotada pelo canhoto no começo dos 70’s, abastecida de farpas veladas nas letras. Em Too Many People, John e Yoko são alvo, enquanto George e Ringo desconfiam ter entrado na roda em 3 Legs.

Lennon aliás, que gravou How Do You Sleep? motivado por Too Many People, se sentiu retratado ainda em Dear Boy.

5) Thirty Tree & 1/3 (1976) – George Harrison

Querido pelos críticos e repleto de qualidade. Thirty Tree & 1/3 apresenta Harrison criando cercado pelo caos. Afinal de contas, quem mais encontraria graça num imbróglio judicial e o usaria pra penar algo novo?

Foi o que George fez, levado aos tribunais por pretensamente copiar He’s So Fine (do conjunto The Chifons) no single My Sweet Lord. Usou a situação e elaborou a sátira This Song.

4) Band on the Run (1973) – Paul McCartney and Wings

Magnum opus do Wings. Nela há tudo o que afamou Macca: suites (Band on the Run), hits de arena (Jet), baladas acústicas (Bluebird) e rockers com riffs matadores (Let Me Roll It).

Há também referências aos colegas pretéritos. Let Me Roll it, por exemplo, evoca o estilo John-carreira solo, ao passo que seu título é inspirado em verso de I’d Have You Anytimecolaboração entre George e Bob Dylan.

3) McCartney (1970) – Paul McCartney

Quando John comunicou internamente a saída dos Beatles (setembro de 1969), o término calhou inevitável. Paul sentiu o baque. Se fechou em sua fazenda na Escócia de forma tão hermética que o deram como morto.

Ele regressou à Inglaterra, vivinho, pouco antes do natal. Pegou uma série de novidades e as gravou no estúdio de casa, na grande Londres, tocando todos os instrumentos numa mix elementar, ajudado apenas pela esposa Linda nos backings. Fruto dessas quase-demos, McCartney chegou às prateleiras munido de músicas como That Would Be SomethingEvery NightJunkTeddy Boy Maybe I’m Amazed.

No release de lançamento, Paul sublinha o rompimento beatle, mantido em segredo até então (Let it Be sequer tinha saído do forno). Fato que precipitou o anúncio oficial do fim, e deixou Lennon furioso.

2) John Lennon/Plastic Ono Band (1970) – John Lennon

Nada de firulas. Praticando terapia primal, John revisitou velhos traumas e soltou os cachorros. O complexo de abandono paterno, a perda da mãe, o amor por Yoko, o ressentimento com Paul e os Beatles, as dúvidas religiosas e os questionamentos à sociedade viraram combustível ao melhor disco solo do mancebo.

Crueza refletida nos arranjos, inclusive. Salvo contribuições pontuais do produtor Phil Spector (piano em Love) e Billy Preston (piano em God), as gravinas ganharam corpo num power trio formado por Lennito, Ringo e o baixista Klaus Voorman.

Além das letras mordazes, chama a atenção a liberdade vocal de John, que usa o gogó pra enfatizar momentos intensos das melodias, notoriamente em Mother, I Found OutWell Well Well God. Sem falar no outro lado da balança – as baladas sublimes Hold OnLove Look at Me.

1) All Things Must Pass (1970) – George Harrison

Difícil descrever em palavras o quanto este LP triplo representa George em essência, capturando o ponto alto do cara enquanto compositor. My Sweet LordAll Things Must PassBeware of DarknessApple ScruffsI’d Have You AnytimeLet it DownIsn’t It a PityWhat is LifeWah-Wah… Pensar aleatoriamente na tracklist de All Things Must Pass é constatar o inegável: trata-se de uma coletânea.

Refletir assim também incomoda o fã de Beatles. Pois parte do material não só existia, como foi sugerida – e vetada – pra uso no quarteto. Ou foi criada em decorrência do melancólico ocaso do Fab Four, tal Wah-Wah, oriunda das frustrações cercando os ensaios do projeto Get Back.

Nem as jams ou o reverb excessivo usado por Phil Spector na produção tornam All Things Must Pass menos sensacional. Chegam a dar epicidade à coisa, aliados às participações especiais – desde a galera do Derek and the Dominos a Peter Frampton.

 

PS => Não tem Ringuera na parada, você deve ter reparado. Não curto os full lengths dele, pra ser sincero. Porém deixo aqui um single do jovem que admiro:

It Don’t Come Easy, criado com help do George e lançado em 1971.

 

 

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s