Campeonato Paranaense, 1967 => Água Verde supera maldição e finalmente conquista o título

Água Verde campeão 1967 - quadro dos campeões

(Foto: historiadoparanaclube.blogspot)

A história dos antepassados do Paraná Clube é riquíssima. Alguns deles, como o Ferroviário, foram vitoriosos e populares, assombrando a dupla Atletiba durante décadas. Já outros precisaram suar bastante a camisa pra ganhar uma tacinha.

Que o diga o Água Verde. Fundado em dezembro de 1914, o tradicional clube curitibano se fundiu ao contemporâneo Savóia em 1926 e mudou várias vezes de nome, mas só foi sentir o gosto do triunfo na reta final de sua existência, espantando em 1967 a urucubaca que rondava a Vila Guaíra.

Azar culpa do padre Zeca, acreditavam os dirigentes.

Reza a lenda que, depois de intensa pregação, no calor de uma tarde de verão, Zeca largou a batina às margens do rio Barigui e foi se banhar. Na volta, surpresa: a veste havia sumido. O padre ficou horas na água, peladão, pensando na vergonha de ganhar as ruas como veio ao mundo, até um bom samaritano lhe resgatar com umas mudas de roupa.

Conforme salienta o jornalista Carneiro Neto em O vôo certo: a história do Paraná Clube, Zeca depois descobriu que o furto da batina fora arquitetado por atletas do Savóia e, tiririca, amaldiçoou a equipe a jamais ser campeã. Mau agouro importado ao Água Verde pós-fusão.

Causos à parte, fato é que os vizinhos regionais do Atlético-PR realmente sofriam na hora da porca torcer o rabo no Campeonato Paranaense. Situação que só mudou no certame de 1967, disputado em dois turnos, todos contra todos, via pontos corridos – algo inusitado na época.

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(Foto: “O vôo certo: a história do Paraná Clube” – pg. 15)

Água Verde e Grêmio Maringá encerraram a contenda empatados no topo da tabela, e decidiram o caneco numa melhor de três.

Primeiro, na Cidade Canção, placar zerado (10/12).

Adiante, no Alto da Glória, 2×2 (17/12).

No tira-teima, nem padre Zeca deu jeito. Apoiado pelos torcedores da capital, Russinho venceu o arqueiro maringaense e, no dia 19 de dezembro, tornou o Água Verde enfim campeão estadual no gramado do estádio Durival Britto e Silva. 1×0. Geraldo Damasceno, treinador que trocara o Ferroviário bicampeão de 1965/66 pela Vila Guaíra, alcançava o inédito tri.

Ao longo da campanha, 25 jogos: 10 vitórias, 12 empates e apenas três derrotas – 1×0 diante do São Paulo de Londrina, na estreia (20/05, em casa), 3×1 pro Jandaia, de Jandaia do Sul (30/07, fora), e 3×1 pro Seleto de Paranaguá (13/08, em casa). 29 gols pró; 19 contra.

Seria a única conquista oficial do Água Verde sob esta alcunha. Rebatizado como Pinheiros a partir de 1971, o escrete faria diversas finais nos anos 80, vencendo os estaduais de 1984 e 1987.

(Time-base do Água Verde campeão de 1967 => Heitor; Zé Carlos, Titure, Silvio e Fonti; Pedrinho e Natal; Jairton, Padreco, Juquinha e Russinho).

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