Brasil 5×2 Suécia, Copa do Mundo de 1958 => O dia em que futebol e arte se uniram vestindo azul

brasil suécia 1958

(Crédito: Arquivo/LanceNet)

Cinco minutos de jogo. Repõem a bola Vavá Didi. Do círculo central, o maestro lança Garrincha. Domina o Mané, vence o marcador na ponta direita, penetra a junção da área com a linha de fundo – seu quintal de casa – e carimba a rede por fora.

Pobre Suécia. Mal abriu o placar e já está avisada do que vem aí…

Percebem os quase 50 mil espectadores do Estádio Råsunda (Solna, região metropolitana de Estocolmo): o gol de Liedholm foi um acidente. Belo acidente, aliás. Chute no cantinho direito de Gilmar, disparado após fintas desconcertantes em Bellini e Orlando, rente à meia-lua. Coisa fina. Mas acidente.

O que se vê na decisão da Copa do Mundo de 1958 beira ao magistral. O toque refinado e driblador do Brasil envolve os anfitriões. E dois lances idênticos tratam de refletir, no score, a superioridade de pronto auferida no campo. Garrincha cruzando, Vavá metendo pra dentro, qual um matador. Primeiro aos nove; depois aos 32 da etapa inicial.

Vavá empata a partida

(Crédito: Scanpix/Wikimedia Commons)

Segue o baile no segundo tempo. Atuando de azul, os comandados de Vicente Feola espantam o fantasma de 1950 e resignificam nosso conceito de futebol. Nílton Santos prende e solta pela esquerda. Djalma Santos, outro lateral à frente da época, assiste os meias quando precisa. Zagallo esbanja técnica e vontade na ponta oposta a Mané. Zito e Didi, fluidos, carregam o piano, ligando ataque e defesa.

Garrincha… o que dizer de Garrincha? As pernas tortas, então saudáveis, atormentam cada nórdico que pinta no horizonte. Já Pelé, com a fome típica dos craques desabrochando, cria bastante. Pensa ligeiro.

Eis então o grande momento, aos 10 do período final. Alça Nilton Santos na área. O futuro Rei, 17 anos, nervosismo zero, mata no peito, chapela o defensor e, sem deixar a peteca cair, escreve seu nome nos barbantes do arqueiro Svensson. Há maneira melhor de expurgar o Maracanazo?

Zagallo aumenta aos 23 e, por descuido, Simonsson toca na saída de Gilmar e desconta, aos 35. Cansado e louco pra festejar, o garoto Pelé ainda dá jeito de, no último ato da exibição de gala brasileira, completar cruzamento do Jovem Lobo e fechar a conta em 5×2.

Nasce assim a primeira estrela no peito da Seleção.

Nasce assim, aos olhos do mundo, o futebol arte.

FICHA TÉCNICA
BRASIL 5×2 SUÉCIA

Local: Estádio Råsunda – Solna (Suécia).
Data: 29 de junho de 1958.
Árbitro: Maurice Guigue (FRA).
Público: 49.737 espectadores.

Gols: Vavá, aos 9 e 32 minutos do 1º tempo; Pelé, aos 10 e 45 minutos do 2º tempo; Zagallo, aos 23 minutos do 2º tempo, pro Brasil. Liedholm, aos 4 minutos do 1º tempo; Simonsson, aos 35 minutos do 2º tempo, pra Suécia.

Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo.
Técnico: Vicente Feola.

Suécia: Svensson; Bergmark, Parling, Gustavsson e Axbom; Börjesson, Gren e Liedholm; Hamrin; Skoglund e Simonsson.
Técnico: George Raynor.

brasil 1958

Jogadores, da esquerda pra direita: Djalma Santos, Zito, Bellini, Nílton Santos, Orlando e Gilmar (em pé). Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo (agachados).

 

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