“Bota ponta na Seleção, Telê!” => A crítica ao trabalho de Telê Santana no Brasil de 1982

telê santana 1982

(Crédito: ESPN)

O futebol brasileiro dos últimos 30 anos nos habituou às linhas de quatro, ao meio-campo povoado, aos laterais fazendo o corredor e avançando. Mas nem sempre foi assim. Durante bom tempo, a tarefa de ocupar os flancos agudos, ir à linha de fundo e centrar/driblar coube aos pontas. Verdadeiras instituições nacionais.

Telê Santana virou treinador do Brasil justo no período desta transição, em 1980. Procurava ele o equilíbrio entre talento e preparo físico. Um elixir que julgou ter encontrado através do falso ponta – aquele que, escreve Paulo Vinícius Coelho no livro Escola Brasileira de Futebol (ed. Objetiva, 2018), “entrasse em diagonal e jogasse como mais um homem de meio de campo”. Tal qual Telê quando jogador.

Na montagem do escrete canarinho da Copa do Mundo de 1982, a função operária recaiu ao cidadão do setor direito. Só que a opinião pública não gostou. Chiou tanto, tanto, que Jô Soares imortalizou a questã no personagem Zé da Galera.

A figura ligava ao comandante, no programa Viva o Gordo, e soltava o bordão: “bota ponta na Seleção, Telê!”.

Telê não botou. Insistiu nas próprias convicções. Aos poucos, apesar de o tema persistir, conquistou a simpatia popular. Aí o Mundial chegou e a Itália nos eliminou. A falta do especialista na direita calhou como causa do insucesso na visão de nomes como João Saldanha.

Salientavam os detratores que Sócrates, ala tornante no cotejo do Sarriá, atuava centralizado demais, por ser ponta de lança de ofício; enquanto isso o lateral Leandro subia, ocupava a extremidade oriental e deixava uma avenida aberta aos italianos lá atrás.

Se isto causou o revés (pra PVC não causou), não há como cravar. Porém o falso ponta elucida quão o verniz temporal pode enganar. No fim das contas, até os mais aclamados, os mais nostálgicos, os heróis do jogo bonito, passam longe da unanimidade típica da posteridade.

brasil 1982

Em pé, da esquerda pra direita: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luizinho e Júnior. Agachados: Sócrates, Toninho Cerezo, Serginho Chulapa, Zico e Éder (Crédito: CBF).

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