Grandes álbuns da humanidade brasileira => El Rapto (Cora, 2018)

cora el raptoIf it’s over, let it go…

Esta resenha talvez não saia boa. Peço perdão logo de cara.

Ela, a resenha, talvez não saia boa por uma simples razão: ele, o disco aqui tratado, me deixou estupefato. Sem palavras.

Vamo lá.

Desde o ano de 2016, elaboro listas de melhores da temporada. Melhores nacionais. Álbum e/ou EP. Melhores movidos pelo gosto pessoal, que privilegiam meus universos típicos de referência. Rock puxado pro clássico, alternativo puxado pro grunge.

If it’s over…

A lista atual está em andamento. Já há fortes nomes nela, apesar de dezembro seguir dormindo. Bem fortes mesmo. Nenhum deles, entretanto, nem os intimamente relacionados ao tal universo de referência, mexeu tanto comigo quanto El Rapto. Primeiro full length da Cora, segundo fruto ao todo da banda.

cora el rapto 2Começando pela mistura idiomática que podia dar muito errado. Deu muito é certo. Espanhol, inglês e português (sem falar nos títulos-chave gregos) pavimentam letras densas, espelhadas no mito de Perséfone*.

Let it go…

O ritmo da obra corre fluido, desenrolado através de canções, na maioria, acima dos quatro minutos. Tudo tendo vez e sentido. Rotular é difícil. Há instantes dream pop, flertes com o alternativo, pontilhados noise, guitarras e synths construindo camas e climas, baixo e bateria dialogantes, vozes sentidas… Rotular é. De fato. Difícil.

A experiência permitida por El Rapto atende ao significado mais subjetivo do termo. Causa da complicação em escrever sobre. Causa do perdão nos batuques lá de cima. De qualquer modo… O álbum, se o ouvinte abrir a porta e deixá-lo entrar, é capaz de estupefar. Existe o verbete, será? Porque é isso que ele faz.

Estupefa fundo.

*Filha de Zeus e Deméter, conforme a perspicaz wikipédia. Sua beleza chamou atenção de Hades (deus do submundo e rei dos mortos), que a pediu em casamento. Zeus não aceitou. Hades então a sequestrou, levando-a com ele ao mundo inferior.

Impasse. Zeus e Deméter ordenaram o retorno da filha. Até se darem conta de que a jovem comera sementes de romã, oferecidas por Hades, demonstrando não ser tão contrária assim ao rapto.

Resolveu-se a questão num acordo. Ela passaria primaveras e verões com os pais, no Olimpo, conhecida por Cora (adolescente, inocente); depois, nos outonos e invernos, uniria-se a Hades no submundo, virando Perséfone (sombria, temida pelos gregos).

TRACKLIST

  1. Milonga
  2. Kόρη
  3. Tulpa
  4. A Call From Gloom
  5. Eye Booger
  6. Massagem Cardíaca
  7. Santa Fé
  8. Ada
  9. Περσεφόνη
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Uma resposta em “Grandes álbuns da humanidade brasileira => El Rapto (Cora, 2018)

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