Brasil 2×1 Espanha, Copa do Mundo de 1962 => Seleção sofre, vira contra a Fúria e sobrevive no Chile

brasil 2x1 espanha 1962Um jogo especial como este, tenso, montanha-russístico, requer narrativa extra. Vou portanto usar uma ucronia, baseada nos melódicos irmãos Carlos.

Eis o cenário. Vavá controla a criança na intermediária oriental. Perde o  Brasil por 1×0, segundo tempo correndo na chilena Viña del Mar. Uma catástrofe ao defensor do título, capaz de sair da Copa do Mundo de 1962 em plena fase de grupos.

Na ânsia da hora, Garrincha surge, tenta tomar a carne do companheiro e os dois colidem. À flor de pele. À relva do estádio Sausalito.

Roberto e Erasmo assistem ao cotejo. E temem. Temem ao lembrar os passinhos de Nílton Santos, que levaram a arbitragem a transformar, pouco atrás, um pênalti favorável à Espanha em falta fora da área. Temem ao lembrar a cobrança de Puskás, concluída via bicicleta – certeira e invalidada – pelo então artilheiro da peleja, Adelardo. Temem que a vitória inaugural contra o México (2×0) e o empate perante a Checoslováquia (0x0) sejam nossos únicos pontos.

brasil 2x1 espanha 1962 colorido_fonte_são paulo fc

(Fonte: São Paulo F.C.Net)

Trocam suspiros os amigos de fé e se olham, transparentes. “É preciso dar um jeito, meu amigo. É preciso dar um jeito…”.

Zagallo os escuta. Os ausculta. Não é mais o ponta esquerda de 1958, do 4-2-4 de Vicente Feola. Agora é homem de marcação no 4-3-3 de Aymoré Moreira. A formiguinha que tantos eternizarão no futuro. Mesmo assim, apoia quando dá. Ao achar fiapo no flanco costumeiro, ele avança e centra rasteiro, sob medida pra Amarildo superar a zaga e igualar a contenda, aos 27 minutos.

Ufa… Respiram os Carlos.

Ufa nada!

Tentando o abafa, animada, a Canarinho dá espaço à Fúria. À Fúria fula. Fúria farta. Farta dos vastos lances antes criados. Desperdiçados. Fúria de Pachín, que de longe eleva o esférico à área de Gilmar.

brasil 2x1 espanha 1962 defesa gilmarTromba o arqueiro com quem pisa ao redor, no afã do perigo, e a número cinco ruma aos pés decididos de Vergés. Pés de bate-pronto, de pegar o quíper de calças curtas, metade ar, metade caído.

Gilmar salta, espalma e belamente nos salva.

Ufa? Indagam Roberto e Erasmo.

Posse brasileira.

Nílton recebe do goleiro e inverte. Aciona Didi. Como numa procura mística, a redonda mira, encontra as pernas do Mané e sorri pedindo mágica.

Garrincha atende. Ginga prum lado, para, gira pro outro, confunde, ganha o lado direito da área, acelera ao fundo e manda pra Amarildo cabecear no cantinho. O possesso substituto do contundido Pelé vira o placar, a quatro minutos do fim, despacha os europeus e bota a Seleção líder do Grupo 3. A caminho dos playoffs. A caminho do bi.

Uuuuufa! Se abraçam os Carlos.

“Foi dado o jeito, meu amigo. Foi dado o jeito”.

FICHA TÉCNICA
BRASIL 2×1 ESPANHA

Local: Estádio Sausalito – Viña del Mar (Chile).
Data: 6 de junho de 1962.
Árbitro: Sergio Bustamante (CHI).
Público: 18.715 espectadores.

Gols: Amarildo, aos 27 e 41 minutos do 2º tempo, pro Brasil. Adelardo, aos 35 minutos do 1º tempo, pra Espanha.

Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nílton Santos; Zito, Didi e Zagallo; Garrincha, Vavá e Amarildo.
Técnico: Aymoré Moreira.

Espanha: Araquistáin; Rodri, Echeberría e Gràcia; Vergés e Pachín; Collar, Peiró, Puskás, Adelardo e Gento.
Técnico: Helenio Herrera.

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