Os 10 melhores lançamentos da música brasileira em 2018

melhores-do-ano_blogA temporada que passou, de modo geral, não foi tão exuberante quanto a anterior. Mesmo assim, dada a disparidade imensa na relação oferta/demanda, fechar o top 10 brasileiro continuou sendo um baita desafio.

Apesar da queda no plano total, determinados segmentos obtiveram, em contrapartida, flagrante subida representativa. Notadamente três:

  • A cena independente, consolidando-se no topo da nossa produção musical, deixando o mainstream, criativamente falando, bem… Bem longe.
  • Grupos liderados por mulheres, aparecendo mais e desenvolvendo trabalhos mais cortantes.
  • O gênero instrumental, cujo crescimento, em especial, chega a assustar. Menos focadas no shred, as bandas se permitiram perseguir climas, camas e feelings.

Pois bem. Dado o prólogo, vamos ao que interessa. Lembrando: não há distinção de tamanho. Valem tanto álbuns quantos EP’s.

10. Landscape Felt by Inner Eyes – Not(e) for Nothing

Há quem carregue a bandeira do progressivo old school em território curitibano. Prova disto é o primeiro disco da Not(e) for Nothing, repleto de ritmos e aromas fusion.

9. Anxious Minds, Vol. 2 – Urbanites

Contrariando a lógica mitológica das franquias, a segunda cria da série Anxious Minds supera a irmã mais velha. Nela, a trupe paranaense aumenta o leque de referências, indo além do rock das Ilhas que lhe é tão peculiar.

Waiting for Tomorrow, por exemplo, remete ao Red Hot Chili Peppers da segunda era Frusciante. Algo sempre bem-vindo.

8. Beach Attack – Beach Combers

Figura carimbada das praias do Rio de Janeiro, a trinca chegadinha na surf music atinge o auge no conceitual Beach Attack.

Zak Starkey (The Who) estava certo ao se impressionar com eles, ano passado, na época do Rock in Rio.

7. Into Your Head – Newholly

Beatles dos primórdios. Até a última gota. Numa modernidade em que as guitarras soam quase todas ao estilo Queens of the Stone Age, faz bem aos ouvidos a existência da Newholly, e seu álbum de estreia  esteirado na inequívoca invasão britânica.

6. Here We Go Again – Violet Soda

Advinda do rock alternativo noventista, lembrando Foo Fighters do começo e Hole, a Violet Soda fecha 2018 tendo botado seus dois EP’s iniciais no mundo. Here We Go Again, o primeiro, mais redondinho, suplanta o ulterior, mais ousado.

5. Juliana – The Baggios

Depois do ápice artístico chamado Brutown (2016), e de elevarem a formação de duo a trio, os sergipanos da Baggios mantêm o pulso rígido em Juliana. O EP dado à luz no primeiro semestre apresenta faixas compostas nas sessões do antecessor. Daí a coesão.

O grupo termina o ano, ainda, com novo disco cheio: Vulcão, apostando em maiores incursões psicodélicas e ritmos. Mas aí o sarrafo já baixa um tanto.

4. Fundação – E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante

Debute no formato full length do conjunto de pós-rock paulista. De instrumental brilhante, que se desenvolve fluido e envolve o ouvinte por completo.

Não há palavra capaz de descrever exatamente a beleza de melodias do quilate de Daiane. “Sublime” chega perto.

3. Elton Jones – Elton Jones

Ponta firme.

O álbum de estreia do duo catarinense homônimo é um verdadeiro petardo calcado no stoner. De canções fortes, dignas de ficar ecoando na cabeça horas após a audição.

Como manda a cartilha dos justos.

2. Their Shamanic Majesties’ Third Request – Instrumental – BIKE

Tradicional nome da psicodelia brasileira, a rapaziada da BIKE marca seu 2018 não apenas pelo lançamento do terceiro trabalho (ou a referência titular ao polêmico LP dos Stones). Marca, também, pela disponibilização de uma versão instrumental de Their Shamanic Majesties’ Third Request.

Versão esta que casa perfeitamente com a vibe da banda, pinta paisagens sonoras deliciosas e supera o original cantado.

1. El Rapto – Cora

Assim como em 2017, decidir o posto número 1 foi espontâneo. Momentâneo. Terminada a primeira audição de El Rapto, e a resenha meio que dava isso de bandeja: eu já sabia.

O feito da Cora em seu debute cheio, dream pop, indie, é grande sob vários aspectos. Supera com sobras o EP anterior, Não Vai ter Cora (2017), possui músicas maduras e se escora num conceito (o mito de Cora/Perséfone) muito bem amarrado em questões atuais, propagadas na tensão das letras.

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