Ultraje => Documentário joga luz sobre detalhes que moldaram a carreira do Ultraje a Rigor (pro bem e pro mal)

ultraje ultraje a rigor documentárioQuando vamos a uma loja de móveis comprar uma cadeira nova, tudo o que analisamos é: a cadeira; o preço. O processo longo por trás da montagem, assim como todas as mãos necessárias pra disponibilizar o objeto ao público… Isso não nos passa à mente.

Bandas operam numa lógica parecida. Enquanto pagamos ingressos aos shows e julgamos as músicas prontas, rente aos ouvidos, não percebemos uma série de pontos que forjaram a identidade e a carreira dos indivíduos subindo ao palco. Em Ultraje, tais pontos ficam visíveis ao espectador.

O documentário celebrando o Ultraje o Rigor revela, justo nestas sutilezas, como um dos grupos de maior vendagem do BRock chegou aos dias atuais tendo um segmento de público fiel, mas sem a aclamação geral que poderia ter.

Eis algumas destas sutilezas.

A PARTE BOA

Artistas iniciantes sempre se deparam com um obstáculo frequentemente ignorado no pré-jogo: a necessidade de chamar atenção na divulgação. Nisso o Ultraje acertou em cheio, criando a tradição de pichar muros nas cidades as quais ia tocar. A ferramenta gerou curiosidade e, junto ao movimento de aproximação entre as grandes gravadoras e o rock, transformou o conjunto em sucesso de público antes do lançamento do primeiro álbum.

Primeiro álbum, aliás, cuja tracklist foi decidida pelos próprios fãs, através de uma votação. Nós Vamos Invadir Sua Praia, portanto, já nasceu destinado ao sucesso, em 1985.

A PARTE RUIM

A síndrome do pânico desenvolvida pelo frontman Roger Moreira, manifestada em viagens de avião, dificultou a locomoção do Ultraje num período em que eles estavam no auge e precisavam manter o nome forte. Compromissos no exterior tiveram de ser desmarcados, e a logística de apresentações pelo Brasil, limitada aos ônibus e estradas, reduziu o alcance da banda.

Trocas de formação, a pouca variação no som tipicamente rock retrô/surf music, e até mesmo a dificuldade do vocalista em ficar longe de seu papagaio, a ponto de cancelar trabalhos só pra cuidar do bicho, foram lentamente minando a bonança da fase áurea. Bonança que ressurgiu de tempos em tempos, como em 1999, ano de lançamento do ao vivo 18 Anos sem Tirar!, gravado em Curitiba. Mas a coisa nunca mais foi a mesma.

A associação atual ao programa The Noite com Danilo Gentili, aliada a posturas ideologicamente conservadoras por parte de Roger, até recolou o Ultraje a Rigor na mídia, entretanto o afastou (talvez em definitivo) de um numeroso público e do apoio da crítica. Detalhes que o documentário dirigido por Marc Dourdin e distribuído pela Elo Company, mesmo buscando uma verve positiva no final de seus 92 minutos, ajuda a clarificar.

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PS: Em relação à polêmica de bilheteria, compartilho minha experiência. Assisti ao doc na segunda-feira seguinte ao fim de semana inaugural (o filme estreou dia 31 de janeiro), Curitiba, 19h. Havia quatro pessoas além de mim na sessão – metade delas jovem, metade da faixa etária do Ultraje clássico.

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