Slash e Republica => Uma noite de protagonismo plural na Live Curitiba

foto 3 (1)AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!!! Marion Crane está apavorada. Na sua época não tinha sequer cor, tudo filmado preto e branco, quanto mais esses verborrágicos solos de guitarra de Slash. Que te xingam e chamam de meu bem ao mesmo tempo, ao mesmo bend. Esse solo aí de agora: Wicked Stone: quanto tempo dura? Dez? Quinze? Vinte? Trinta minutos? Saaabe Deus! A sensação é de que você pode sair, descer a canaleta do Portão, pegar o Santa Cândida/Capão Raso, ir pra casa, comer uma coisinha, ouvir o álbum Living the Dream, lançado em 2018 e atualmente promovido por Slash, ouvir o tal álbum inteirinho, pegar o vermelhão de volta, re-adentrar a Live Curitiba e, sim, ele ainda estará tocando. o bendito. solo. Marion Crane não sabe lidar com isso. Já lhe basta a morte certa acenando em Psicose, filme cuja cena – A cena – da personagem de Janet Leigh berrando no chuveiro, surge imortalizada – em cores! – na camiseta trajada por Slash bem diante de nossos olhos, bem diante no palco.

Banda bem cinematográfica, a tal da Slash featuring Myles Kennedy and the Conspirators. O vocalista também lembra um momento definitivo de Hollywood na regata que usa: Tubarão. É. Esse Myles… Myles é um caso à parte.

“O Myles é muito amado!”, comenta uma fã de forte sotaque catarinense, não sem antes pedir a um dos fotógrafos, aparentemente conhecido dela, que tire “umas foto bem linda!” do que rolar logo logo em Curitiba. O fotógrafo promete tentar. Mas Myles… Myles é um cara que quem não o conhece, pode comprar. Porque Myles tem os olhos pequenos de quem não dorme há três semanas. Começa o show numa serenidade ponto-morto. Será que vai ser assim a coisa toda? Ih! Perto do primeiro frontman a pisar no palco desta sexta, 24 de maio de 2019, temperatura na casa das jaquetas fechadas e toucas opcionais… Ih!

“Life is beautiful
A bed of roses
A good smell in our nose…”

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Iniciados os trabalhos da noite nestes versinhos aí. Com a cara de um bebê de zóio esbugalhado atrás da bateria; uma criança explanando que a vida é both beautiful e brutal. Brutal & Beautiful. Full length de 2017, tema principal da primeira parte do esquema.

Leo Beling. Pena não estarmos em 1990. Calças rasgadas, cabelo comprido liso, óculos aviador, riffs pesados de rock/metal no seu background… Republica seria um grupo com ótimas chances em 1990. Fossem americanos, então… Leo Beling tem carisma e se empenha de verdade enquanto frontman. Ao vivo, não soa tão perto de James Hetfield como certas vezes nas versões de estúdio. É. Os caras do Republica são bem rodados. Cabelos brancos lá ou cá. Gente que manja. Que abriu pro Megadeth em 2016 no Spazio Van – eu vi. De la pra cá, melhoraram muito. É. Republica não vem só pra abrir. Vem pra aproveitar a pouco mais de meia hora que dispõe pra ferver o antigo Curitiba Master Hall. Vem pra botar o sarrafo lá em cima, das 20h55 às 21h28, pra Slash e Myles.

Myles… Myles é um caso à parte.

Myles te envolve de tal forma que, quando se dá conta, você já perdeu completamente a noção de que ele parece cansado. Aí você já está lá, pulando, cantando a fase recente da carreira de Slash – só uma música do Guns n’ Roses! só Nightrain! nada de Velvet Revolver! nada do Snakepit! só Nightrain representando gravações anteriores a 2010! no set. Não importa. O público compra a ideia deste Slash focado no novo, das 21h58 às 00h04, mais de duas horas de apresentação, sete músicas tiradas do disco do ano passado, soladas loucas, poucos papos. Pouquíssimos papos. Slash é tão avesso ao microfone que, nas raras vezes em que lhe recai um backing, ele nem termina o verso que precisa cantar – logo está longe do mic, palavras ao ar, cabeça abaixada, fitando o que importa pra ele de verdade: a guitarra. O público ama Back from Cali. Ama a duplinha cantada pelo baixista Todd Kerns, de voz potente e feições invocatórias. Rapaz! Que backings Todd faz! As partes altas de Starlight? São dele! O público ama Starlight. E Anastasia. E saboreia a facilidade com que Myles canta e rege. É. Taí. É por isso que Myles começa devagar. É que ele sabe que vai chegar lá. Pra que pressa, afinal? Ele sabe chegar lá. Ele chega. E Slash sabe disso. A Marion Crane, portanto, confinada [em cores] na camiseta-de-cena-de-cinema: sinto muito informar: só resta gritar.

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SETLIST SLASH

  1. The Call of the Wind
  2. Halo
  3. Standing in the Sun
  4. Apocalyptic Love
  5. Back From Cali
  6. My Antidote
  7. Serve You Right
  8. Boulevard of Broken Hearts
  9. Shadow Life
  10. We’re All Gonna Die
  11. Doctor Alibi
  12. The One You Loved is Gone
  13. Wicked Stone
  14. Mind Your Manners
  15. Driving Rain
  16. By the Sword
  17. Nightrain (Guns n’ Roses)
  18. Starlight
  19. You’re a Lie
  20. World on Fire
  21. Anastasia

SETLIST REPUBLICA

  1. Intro / Black Wings
  2. Death for Life
  3. Head Like a Hole (Nine Inch Nails cover)
  4. Take It
  5. Beautiful Lie
  6. The Maze
  7. Broken
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