Yamandu Costa, Teatro da Caixa, Curitiba => Coisas que lembro do primeiro show que assisti

yamandu costa

(Foto: cwbmania.blogspot.com.br)

Memória é um troço maluco. O tempo passa e o Cérebro fica preguiçoso que só. Tira sonecas existenciais cada vez mais longas. “Lembra aquilo lá?”, você se esforça, aproveitando uma rápida abertura de olho dele – típica de quem só acordou pra remover o excesso de remela. “Leeembro”, responde a massa cinzenta, abafando o bocejo. “Foi massa, né…”. Antes de terminar a frase, lá está o Cérebro virado pro outro lado, roncando alto, de novo, sem revelar maiores detalhes.

Dia desses, por exemplo. Me peguei matutando sobre o primeiro show que assisti na vida. Lembrei do artista (Yamandu Costa). Do local (Teatro da Caixa, em Curitiba). Da circunstância (noitinha). Das companhias (meu pai e minha mãe). Da data, nada. Continuar lendo

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Wimbledon, 2002 => André Sá iguala recorde brasileiro e alcança as quartas na chave simples masculina

andré sá wimbledon 2002

(Foto: folha.uol.com.br)

Três anos. Muita coisa pode mudar em três anos.

No tênis, então…

Um tenista que jamais passou da segunda rodada de Wimbledon pode chegar às quartas de final. Igualar os melhores feitos nacionais na modalidade simples masculina. Coisa de gente grande. Continuar lendo

Grandes álbuns da humanidade brasileira => Ouça o que Eu Digo: Não Ouça Ninguém (Engenheiros do Hawaii, 1988)

ouça o que eu digo não ouça ninguém_engenheiros do hawaiiMuitos consideram Humberto Gessinger um poeta do nível de Renato Russo e Cazuza, em se tratando do pop rock brasileiro.

Pra quem endossa tal tese, uma obra dos Engenheiros do Hawaii serve particularmente de prova, unindo arte e senso crítico: Ouça o que Eu Digo: Não Ouça Ninguém. Continuar lendo

1001 grandes álbuns desse mundão (parte 14)

blood sugar sex magikPrivilegiando discos do início de suas respectivas décadas, preenchi a nova sequência dos 1001 grandes álbuns desse mundão \o/

Nesta parcial, o mote é a segurança. Busquei trabalhos que conheço – e gosto – há um bom tempo, principalmente os dos anos 1980 e 1990.

Exemplos:

Boy eu ouço desde criança (sem trocadilho).  Use Your IllusionKill ‘Em All Ten chegaram na puberdade/adolescência, cada qual num momento específico, enquanto Blood Sugar entrou na fase adulta e fincou lugar imutável nas esferas super-superiores das minhas preferências audiófilas. Culpa do auge de John Frusciante…

Pois bora encerrar o prólogo e conferir a parte 14 inteira?  Continuar lendo

Brasil 5×2 Suécia, Copa do Mundo de 1958 => O dia em que futebol e arte se uniram vestindo azul

brasil suécia 1958

(Crédito: Arquivo/LanceNet)

Cinco minutos de jogo. Repõem a bola Vavá Didi. Do círculo central, o maestro lança Garrincha. Domina o Mané, vence o marcador na ponta direita, penetra a junção da área com a linha de fundo – seu quintal de casa – e carimba a rede por fora.

Pobre Suécia. Mal abriu o placar e já está avisada do que vem aí…

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9 músicas essenciais pra se ouvir na vida => Luiz Rock

luiz rock_teatro positivo 2016

(Foto: Produtora Prime)

Havia um tempinho que o quadro andava parado. Mais de um ano e meio. Reativá-lo, portanto, era algo que devia ser feito com estilo. Firmeza.

Sabendo disso, convoquei o sagaz Luiz Rock ao front. Ele não titubeou e selecionou as três trincas de canções que considera essenciais pra se escutar vidão afora. Escolhas estas que abrangem épocas diferentes, bastante interessantes.

Olha só: Continuar lendo

Grandes álbuns da humanidade brasileira => Ventura (Los Hermanos, 2003)

ventura los hermanosO disco de estreia era bom. Misturava guitarra e metais de um jeito diferente do feito por Skank ou Paralamas do Sucesso no mainstream. Hardcore bem cantado.

O segundo? Legal também. Rompia a fórmula dos hits pop padrão, entrava na MPB. Aquele carinha de voz rouca, que assumia o mic vez ou outra, emitia claros sinais de talento na composição.

Mas o terceiro… Ali a banda mostrou, realmente, a que veio. Com Ventura (2003), os barbudos do Los Hermanos encontraram o equilíbrio entre rock e música popular brasileira, dando espaço pra Rodrigo Amarante desabrochar nas letras/gogó, oferecendo companhia sagaz à Marcelo Camelo. Continuar lendo

1001 grandes álbuns desse mundão (parte 13)

karina buhr selváticaBora fazer uma lista temática?

Na parte 13 dos 1001 grandes álbuns desse mundão, elenquei apenas trabalhos da década de 2010. Uma boa pra mostrar quanto negócio batuta foi lançado no nosso passado recente.

No que tange aos brasileiros, aqui rola uma amostra do quão produtiva está a música feita acá, representando metade da seção.

Espia ae: Continuar lendo

Ascension (1966) => O caos controlado de John Coltrane

john coltrane ascensionAmar ou odiar. Não há como ser indiferente a discos da ousada seara de Ascension (1966).

Nele, John Coltrane mergulhou fundo na verve espiritual, marca do último período de sua carreira. Mergulhou fundo em algo tão denso e contínuo, movimentos coletivos, livres e intuitivamente conjuntos, que nos remete à ideia de ordenar o caótico da natureza humana. Continuar lendo